Ser Supremo – o que é, ou, quem é esse Ser?

Autor

Clelia Queiroz Gadelha

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Ser Supremo – o que é, ou, quem é esse Ser?

Olorum para os iorubás. Tupã para os tupi-guarani. Jeová para os judeus. Duvê Barô para os ciganos. Alá para os islâmicos. Deus para os cristãos. A ideia da existência de um Ser Supremo está presente em diferentes religiões monoteístas. 

Apesar das diferenças culturais, antropológicas, históricas e de nomenclatura, há similaridades importantes: trata-se de um ser que está acima de tudo e todos, que possui poderes transcendentais ilimitados, como a onipresença e a onisciência, e que é livre das fronteiras do tempo e do espaço.

Nas religiões politeístas, a mesma concepção é atribuída a um conjunto de seres, como no caso da tríade hindu, composta por Brahma, Vishnu e Shiva. Já, os japoneses xintoístas veneram vários seres de características sobrenaturais, os Kami.

Entre antropólogos, teólogos e historiadores, não há consenso sobre quem veio primeiro: o Ser Supremo ou a crença religiosa. Há quem atribua a ideia de um ser sempre à evolução do sistema religioso. Outros, porém, consideram que ela precede à religião em si.

Civilizações arcaicas podem ter criado a figura de um Ser Supremo na tentativa de encontrar respostas para os mistérios da vida. Em geral, ele estava intimamente ligado aos fenômenos celestes então inexplicáveis, como o sol, a luz, as estrelas, a chuva.  A ideia de um ser onipotente e primordial, que antecedeu todas as coisas, marcou a história da filosofia. Aristóteles diz que  esse foi o primeiro motor, capaz de desencadear todos os demais movimentos. Platão postulou que um Ser Supremo gera o mundo e, ao mesmo tempo, é o próprio mundo.

O mundo natural, portanto, ajudou a dar forma a ideia de um Ser Supremo, quer como explicação do mundo natural, quer como entidade divina. O físico Marcelo Gleiser, no livro A Ilha do Conhecimento – Os limites da ciência e a busca por sentido, sugere que o homem buscou “divinizar a natureza numa tentativa de ter controle sobre o que era, em essência, incontrolável”.

Isso explica por que, em muitas culturas, se atribuiu ao Ser Supremo criação de todas as coisas e a origem e manutenção da vida, dogma que se perpetuou em vários sistemas religiosos e de crenças. O Deus cristão, por exemplo, criou o mundo em sete dias. Tupã desceu à Terra para criar tudo o que há nela. Olorum deu origem ao mundo, a todas as águas e terras, aos filhos das águas e aos animais. E, ainda, ordenou a Oxalá que criasse o homem.

Com o tempo, algumas religiões foram atribuindo características humanas para esta entidade suprema, como sabedoria, bondade, benevolência. Ela também adquiriu poderes para regular os valores morais, os comportamentos sociais e as relações, com competência, inclusive, para punir os que transgredirem suas regras.

Com o avanço da ciência, a humanidade aprimorou sua compreensão sobre a criação do universo. Segundo a Teoria do Big Bang, hoje a explicação científica mais aceita para o início de tudo, as galáxias estão em constante movimento, afastando-se uma das outras. Isso pressupõe que, há cerca de 15 bilhões de anos, todas elas estavam concentradas num mesmo ponto, que se expandiu devido às altas temperaturas. Os estudos científicos sugerem ainda que a vida na Terra surgiu por acaso e que a seleção natural, proposta por Charles Darwin, fez com que ela se transformasse no que conhecemos hoje.

Para alguns, os argumentos da ciência suplantam qualquer ideia de Ser Supremo. Para outros, a energia, que move todo mecanismo da cosmologia moderna e das teorias sobre o surgimento e a evolução da vida, constitui na melhor representação do divino, do sagrado e do transcendente.

É uma concepção, de fundo religioso ou não, que vê a natureza, seus ciclos e toda a sua exuberância natural como manifestação da espiritualidade na sua essência. É por meio dela que refletem sobre a própria existência, que se conectam com o desconhecido, com o todo. Para os adeptos dessa interpretação, a relação com a natureza acaba por ocupar o lugar que pertenceria à adoração de um Ser Supremo.

Marcelo Gleiser nos ajuda a entender essa situação: as motivações que levam cientistas e religiosos a buscar explicações sobre o mundo não são tão diferentes. Ambos “tentam de alguma forma revelar os mecanismos por trás dos fenômenos naturais: afinal, tanto deuses quanto forças físicas fazem coisas acontecer, mesmo que de forma radicalmente distintas”.

A profunda conexão com a natureza sagrada desperta no ser humano a consciência de que ele faz parte de algo maior, de que está intimamente ligado a toda humanidade, a todo o planeta, ao universo. Sendo parte da natureza, ele descobre o sagrado e encontra a sua centelha divina – como se tivesse guardado dentro do peito uma faísca da energia que move o mundo – e passa a perceber sua própria luz.

A centelha divina corresponde ao que alguns chamam de Eu Superior. Para entrar em contato com ela, é preciso equilíbrio e harmonia. Técnicas de Meditação são muito úteis para isso, especialmente, quando associadas a terapias integrativas e complementares. No Portal Soham, você encontra informações e profissionais ligados a diversas especialidades nessas áreas. Quando se tem a noção do humano sagrado, as perspectivas em relação ao mundo mudam. Assim como se percebe a própria centelha, percebe-se a centelha dos outros também. As relações tornam-se mais fluidas, a vida mais feliz, o ambiente mais saudável.

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Clelia Queiroz Gadelha

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