Meditação
Para atingir este estado, utiliza-se principalmente técnicas de meditação em que o indivíduo deve se concentrar, durante um período de tempo, em determinada coisa, como um objeto ou nas próprias reações de seu corpo: a respiração, partes do corpo; como as mãos e os pés, por exemplo.
A meditação mindfulness tem origem a partir das práticas meditativas orientais, principalmente entre os budistas. No entanto, esta técnica passou a ser objeto de estudo da medicina e psicologia comportamental, como parte de uma série de programas para a redução do estresse.
Mindfulness ou Atenção plena é sobre observar-se sem julgamentos, apegos ou aversões, tendo compaixão e amorosidade por si mesmo.
Atenção plena é a prática de prestar atenção de forma genuína e criar espaço para as percepção do agora. Não importa o quão longe nossa mente consiga se afastar, atenção plena nos encaminha de volta para onde estamos e o que estamos fazendo e sentindo.
Como toda prática meditativa é importante praticar Mindfulness por um tempo para sentir seus efeitos de bem estar e equilíbrio. Podemos iniciar a prática de 12 minutos e ir aumentando o tempo gradualmente. O praticante também pode exercitar a atenção plena com a meditação ativa, que é manter a mente interessada e atenta, ou seja, experienciar momento a momento as atividades rotineiras como andar, comer, tomar banho, estudar entre outras coisas simples do seu dia a dia.
Esta prática está ligada a capacidade de estar plenamente presente, conscientes de onde estamos e o que estamos fazendo e a medida que isso se torna natural, percebemos uma diminuição considerável de nossas ações reativas ou oprimidas pelo que está acontecendo ao nosso redor.
De acordo com a Academia Brasileira de Mindfulness, entre as diversas melhorias na qualidade de vida da pessoa que pratica essa meditação, destaca-se o crescimento da criatividade, da memória, concentração e da rapidez em solucionar questões diárias. A melhoria da capacidade de se manter equilibrado e tranquilo em situações de estresse é percebida consideravelmente.
Essa meditação não é considerada oculta, esotérica ou religiosa. Não é uma prática para entrar em estado de torpor mental e também não é relaxamento, porém, pode vir acompanhada de profundos relaxamentos e por sentimentos de bem-estar.
É uma prática onde conseguimos acalmar nossa mente e escolher onde queremos focá-la.
Praticar Mindfulness é estar aberto a criar um estilo de vida mais equilibrado, ter maior disponibilidade para o autoconhecimento e com isso ganhar saúde e bem estar em todas as esferas da vida.
Não importa onde está e como está, você pode começar a praticar agora, porque Mindfulness não tem a pretensão de mudar quem você é. Na verdade ela incentiva você a se tratar com gentileza, amorosidade e compaixão. Mindfulness reconhece e cultiva o melhor de quem somos como seres humanos.
A prática de atenção plena cultiva qualidades humanas universais e não exige que ninguém altere suas crenças. Todos podem se beneficiar e é fácil de aprender.
Sabemos que uma certa cota de stress é importante para nossa vida diária. Mindfulness traz consciência e atenção em tudo o que fazemos e assim reduz o estresse desnecessário somente.
Esse tipo de meditacao está baseado em evidências e hoje em dia contamos com inúmeros artigos científicos, portanto, não é uma questão de ter uma consciência baseada na fé. Tanto a ciência como a experiência demonstram seus benefícios positivos para a nossa saúde, felicidade, trabalho e relacionamentos.
À medida que lidamos com a crescente complexidade e incerteza do nosso próprio mundo e também do mundo em que vivemos, a atenção plena pode nos levar a respostas mais cabíveis e resilientes e tudo isso adequado ao seu nível de consciência.
A meditação começa e termina no corpo. Isso envolve tomar o tempo para prestar atenção sobre onde estamos, o que está acontecendo, o que estamos sentindo no momento presente e tal consciencia começa com o conhecimento do nosso corpo. Esse mesmo ato pode ser tranquilizador, já que o nosso corpo tem ritmos internos que nos ajudam a relaxar se nos dermos uma chance.
Destacamos alguns pontos que podem ser interessantes para a prática:
O treinamento e aprendizado dessa forma de atenção pode estar atrelado às técnicas de meditação e de outros exercícios, para que se possa estar consciente nas tomadas de decisões, ou seja, sermos protagonistas.
Um dos objetivos dos programas de Mindfulness é libertar as pessoas do condicionamento automático, ou seja, tornar a pessoa consciente do seu modo existente em que ela perceba a tomada de decisão consciente.
Plena atenção é uma tradução aproximada para a palavra Mindfulness em inglês e Sati em pali, que uma língua prima do sânscrito. Sati é uma atividade. Tem registros em antigos pergaminhos que datam de 7.000 anos. Esses escritos contam que, um grupo de monges se reuniram para meditar e relatar sobre suas experiências durante a meditação. E seguiu-se nesta metodologia, onde foram criados exercícios e práticas especificas para o que o meditante gostaria de trabalhar.
Quando Buda propôs uma reorganização desses movimentos meditativos, a mais de 2.500 anos atrás, a Meditação Vipassana foi escolhida para que o meditante se colocasse em uma viagem interna de pura atenção a cada movimento, pois o homem daquela época estava totalmente voltado para o externo. A proposta de Buda foi para que o homem colocasse seu ponto de apoio dentro de si, ao passo que as práticas disponibilizadas acabavam sendo utilizadas em pontos de apoio fora do homem.
No Budismo temos dois tipos principais de meditação: Vipassana e Samatha. Estas são habilidades mentais distintas, modos de funcionamento ou qualidades da consciência.
Vipassana pode ser traduzida por “insight”, uma consciência clara do que está exatamente acontecendo no momento em que acontece. Samatha pode ser traduzida como “concentração” ou “tranquilidade”. É um estado em que a mente é levada ao repouso, focalizando apenas um item, não se permitindo que ela divague. Quando se alcança isto, o corpo e a mente são tomados de uma profunda calma, um estado de tranquilidade que deve ser experimentado para ser compreendido.
A plena atenção é o coração da meditação Vipassana e a chave de todo o processo. É ao mesmo tempo a meta dessa meditação e o meio de alcançá-la. Você alcança a plena atenção estando cada vez mais atento. Outra palavra pali que se traduz por plena atenção é Appamada, que significa não-negligência ou ausência de loucura. Quem presta atenção constantemente naquilo que está realmente acontecendo em sua mente alcança o estado de sanidade última.
Em meados dos anos 70, Jon Kabat-Zinn, um dos cientistas e incentivador das práticas meditativas, então professor emérito da Universidade de Massachusetts, recebeu a permissão do próprio Dalai Lama, para levar Sati para a Universidade e comprovar sua eficácia, seus benefícios para a saúde promovidos de forma simples e disciplinada.
Foi aperfeiçoando até ter retirado todo e qualquer aspecto religioso da prática e assim fundamentou o primeiro programa baseado em Mindfulness (MBSR) do mundo, para redução de estresse, atendendo casos clínicos em que a medicina já não mais podia contribuir.
O marco se deu no ano de 1979, com a fundação da Clínica de Estresse dentro do renomado MIT, por Jon Kabat-Zinn, onde o carro chefe dos tratamentos empregados era Mindfulness. Os primeiros estudos científicos vieram do MBSR, desde o ano de 1979, quando o treinamento com a meditação, mostrou-se eficiente não só na redução e um melhor gerenciamento de estresse, mas também na melhora da qualidade de vida de pacientes com dor crônica.
Das evidências positivas de Mindfulness, surge um novo campo de estudo: o impacto do desenvolvimento da compaixão, elemento que passou a fazer parte de mindfulness um tempo depois da formatação do MBSR. Hoje também há programas baseados na compaixão, mas quero deixar este assunto para desenvolvermos bem em um próximo artigo.
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Autor
Carmem Zanusso