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O nascimento do bebê representa a conclusão do mais grandioso projeto que o ser humano consegue desenvolver. Desde o momento da tomada de decisão de receber essa criança, tudo o que os pais querem é que esse seja um momento inesquecível, tranquilo e que ambos (mãe e filho) fiquem bem após o nascimento.
Pensando na importância desse momento, tanto para o bebê como para a mãe, surge o conceito de parto humanizado.
Trata-se de um conjunto de procedimentos e condutas que promovem um parto mais saudável, que respeita o processo natural do nascimento e evita realizar intervenções desnecessárias e individualizar o atendimento, sempre escolhendo as melhores e mais seguras práticas durante o processo.
Esse conceito surgiu em meados da década de 70, quando passaram a questionar o excesso e modo agressivo em alguns casos de intervenção médica no parto, momento esse que deveria ser natural e tranquilo.
Tal observação foi preconizada e divulgada por Frederick Leboyer, médico francês da Clínica Obstétrica de Faculdade de Medicina da Universidade de Paris, em sua publicação “Por um Nascimento Sem Violência”.
A partir desse questionamento, a medicina lançou mão de um olhar mais humanizado para esse momento e, principalmente, para a mulher que vivencia esse evento intensamente.
Sendo assim, os profissionais entorno do parto humanizado trabalham levando em conta os valores e sentimentos individuais da mulher,
reconhecendo seu protagonismo naquele momento.
Durante o Pré-Natal as consultas se voltam para essa abordagem que vai alem do medir a pressão, o peso, o crescimento do útero e ouvir o coração do bebê.
A gestante passa a ser orientada da sua real participação nesse grandioso projeto e torna-se necessário que o médico obstetra e sua equipe investiguem
qual a bagagem desses futuros pais:
Quais suas vivências?
Quais suas expectativas?
Quais os seus medos?
Quais as suas reais competências (físicas, emocionais, sociais)?
Quais seus hábitos, crenças e culturas?
Consequentemente, toda atenção é dada para promover o bem-estar da parturiente naquele momento tão delicado e o apoio ao casal para que esse processo natural seja coroado com o nascimento de um bebê ,e uma mamãe e um papai saudáveis!
De acordo com o Manual Técnico de Assistência Pré-natal do Ministério da Saúde do Brasil- 2000, “a humanização da assistência ao parto pressupõe a relação de respeito que os profissionais de saúde estabelecem com as mulheres durante o processo de parturição”.
Em suma, torna esse momento que, geralmente, gera um muita tensão nas mulheres, o mais tranquilo possível. Para o bebê, a não intervenção médica e cirúrgica desnecessária, e a prática de condutas delicadas e não agressivas, ajudam no processo do nascimento.
Respeita-se também, o tempo do nascimento de cada indivíduo, que nascerá sem pressa e em uma atmosfera muito mais aconchegante para sua chegada ao mundo. O próprio cordão umbilical não é clampeado de imediato.
Aguardamos a parada da pulsação, que significa que os ajustes na circulação dos grandes vasos do bebê se estabeleceu no formato de recém-nascido, desconfigurando o Padrão Intra Uterino.
Isso garante uma oxigenação adequada nos tecidos (principalmente cerebral) nos primeiros minutos de vida .
O colo materno já é oferecido logo quando o bebê nasce, permitindo esse contato direto e até mesmo o sugar do peito logo nos primeiros momentos de vida. Com certeza, essa é uma conexão valiosíssima, afinal, eles estiveram “grudadinhos” cerca de nove meses seguidos.
Além da conexão emocional, o contato pele a pele traz para o bebê – que cresceu num ambiente estéril (livre de bactérias) – as bactérias da mãe primeiro pela passagem no canal vaginal e agora pelo contato com a flora da pele.
Como funciona na prática?
É importante ressaltar que todo o processo de parto humanizado se inicia no pré-natal, quando a saúde da gestante e do bebê são avaliados criteriosamente para analisar a possibilidade do parte humanizado.
Caso essa seja a decisão da mãe e tudo esteja propício para esse momento, o profissional prepara a mãe e também o companheiro explicando sobre a experiência de dar à luz dessa maneira, orientando como tudo vai funcionar.
Na rede pública, as gestantes de risco habitual tem a opção de serem assistidas nas casas de parto por uma equipe multidisciplinar, treinada, para quando necessário direcionar a parturiente para um serviço hospitalar, diante da possibilidade e/ou da ocorrência de uma complicação.
Na rede particular, as maternidades se modernizaram, criando os L.D.R. (Labor Delivery Room), tornando a experiência do parto hospitalar aconchegante e segura.
No momento, a mãe e quem ela decidir acompanhar o parto estarão em contato, o que colabora e muito para que a parturiente se sinta segura e protegida nesse momento tão desafiador .
Após isso, a equipe irá preparar esse ambiente para o momento principal.
Alguns detalhes são muito importantes para criar essa atmosfera natural para o ambiente:
Luz
Como o bebê vai sair do útero, que é um local aconchegante e escuro, cria-se um ambiente com iluminação fraca para que ele não sinta uma grande diferença ao chegar ao mundo.
Música
É provado cientificamente que a música e ritmo têm muito poder sobre nossa mente, emoções e até mesmo no corpo físico.
Ela pode proporcionar uma sensação de relaxamento tanto para a mãe como para o bebê.
Recomendo que o casal crie a sua própria Playlist para tornar esse momento mais especial e engrandecedor.
Água
O uso do chuveiro e da banheira nos partos humanizados proporciona condições de relaxamento e amenização da dor durante o processo de dilatação do colo uterino.
Posição para ter o bebê
A melhor posição para ter um filho é totalmente relacionada à sensação de conforto da mulher, por isso difere de uma para outra.
Geralmente, as posições agachada (de cócoras) e semi-sentada são as mais confortáveis.
Muito importante o preparo da musculatura abdominal para fazer a prensa no momento da expulsão fetal e da musculatura perineal/vaginal, para facilitar a expulsão e até abreviar a realização da episiotomia – uma incisão às vezes necessária para proteção da musculatura perineal quando a mesma sofre ameaça de ruptura e laceração.
A Fisioterapeuta com especialização em Obstetrícia é peça fundamental na preparação para um parto humanizado.
Doula ou Enfermeira Obstetriz
As equipes de parto também têm o suporte de uma Doula (que pode ser uma profissional com experiência no acompanhamento de partos) ou a Enfermeira Obstétrica.
Ambas darão suporte emocional à parturiente e ajudarão durante o trabalho de parto na conquista do desejado resultado: nascimento com saúde e tranquilidade.
É importante ressaltar que, apesar de ser um parto humanizado, não necessariamente ele precisa ser natural. Uma cesariana também pode ser humanizada e a mãe contar com os mesmos cuidados, carinho e atenção nesse momento.
Mesmo porque, tudo pode estar pronto para o parto natural humanizado, mas a mãe não conseguir dilatação suficiente ou apresentar outros problemas que requerem uma cesárea.
Toda a atmosfera pode ser criada da mesma maneira, com a presença do companheiro na hora do nascimento. Além disso, logo após o nascimento, o bebê pode ficar imediatamente ao lado da mãe, diferentemente de uma cesárea comum.
Sempre procure um obstetra para a correta orientação e acompanhamento da sua gestação. Afinal, trata-se de um momento único e inesquecível de uma família .
Autor
Marlene Siqueira